30 seconds to mars em portugal




Para quem se perguntava se o Pavilhão Atlântico não seria grande demais para os 30 Seconds to Mars, bastava entrar na sala à beira Tejo para perceber que não. A inexistência de clareiras sem pessoas era evidente e foi mais tarde confirmada por Jared Leto: 18 mil pessoas assistiram ao regresso dos norte-americanos à capital portuguesa.

A popularidade do actor e mentor do grupo não deve andar longe da razão para todo este culto, mas a verdade é que em terras lusas os autores de "A Beautiful Lie" nunca vão ser mal recebidos. Um entendimento de parte a parte que foi coroado por Leto como «o melhor concerto da digressão». E toda a gente acreditou nele.

Desde a introdução com o vídeo de 'Hurricane' a passar na íntegra nos ecrãs, até ao final com um 'Kings and Queens' a milhares de vozes, tanto Leto como o público puxaram dos galões na arte de entreter. O primeiro porque insistiu no seu hábito de pedir a intervenção da assistência. O segundo porque respondeu à boa maneira portuguesa. E como se sabe, pedir a um português que se manifeste num concerto é meio caminho andado para tudo correr bem.

Claro que os temas de "A Beautiful Lie" e de "This Is War" também ajudaram e muito. Sobretudo quando são cantados em uníssono. Tanto os mais musculados, 'A Beautiful Lie', 'Attack', 'This Is War' e 'Closer to the Edge', entre eles, como a sequência em acústico e a solo à guitarra, onde se ouvem 'From Yesterday', 'Alibi' e, pela segunda vez em menos de uma semana no Atlântico, um 'Bad Romance' (Lady Gaga) cantado a meias entre cantor e público.

«Vocês são uns sobreviventes», disse a certa altura, e de forma algo surpreendente, Jared Leto. Ele que passou metade do concerto com uma bandeira de Portugal às costas e que não se furtou a interromper favoritos como 'Search & Destroy' e 'The Fantasy' para pedir à assistência que saltasse até «partir o tecto». E a verdade é que o Atlântico abanou.

Goste-se ou não se goste do seu rock espacial com toques de Emo e guitarras hard rock, os 30 Seconds to Mars sabem muito bem o que fazer num palco. No meio, Leto, que é um actor com uma carreira que não envergonha ninguém em Hollywood, não deixa de surpreender por precisar de mostrar que também é um músico e um cantor competente. A sequência acústica a solo é exemplo disso mesmo. E a simpatia é desarmante em cima de palco para alguém com semelhante base de fãs junto do público feminino.

'The Kill' e 'Hurricane' faziam quase antever o presente final da banda para o público português. Quando Leto escolheu a dedo e a olho várias dezenas de fãs para subirem a palco e cantarem 'Kings and Queens' com eles. Uma invasão de palco controlada que não é assim tão comum numa sala como o Pavilhão Atlântico. Do outro lado, a loucura instalou-se nos milhares de pessoas que ficaram de fora do grupo de privilegiados que puderam privar com o grupo. E curiosamente, depois de Leto se despedir com a promessa de um regresso em breve, foram os próprios representantes do público que ficaram na boca de palco a receber a ovação final. Um aplauso mais que merecido para uma das estrelas da noite.

Rita Tristany

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